Otto Clemente admite sua falência existencial

Otto pensa em um prólogo para si mesmo.

Falhei como ser humano. Falhei e falharia de novo, todos os dias, em todos os aspectos cabíveis em uma existência. Sou um pêndulo. Meu combustível se esvai entre idas e vindas para lugar nenhum. A normatização existencial está fora de meu alcance, pêndulo acéfalo, margeado por um campo invisível de erros. Falhei e seguiria falhando. Todos os dias.

Um brinde ao atestado de falência, que divinamente impede um futuro flagelado pela maldição da consciência. Falhei e seguiria falhando. Todos os dias.

Ele conversa com Eva. Agora.

– Sinto que sou incapaz de realizar qualquer coisa.

– Li o seu atestado de falência.

– Então?

– Ele é insuficiente.

– Insuficiente para que?

– Para qualquer coisa.

(Isso (não) faz parte de nosso novo curta-metragem, “Otto Recicla”)

Marcus Curvelo

otto-clemente

Bruno Guimarães

 

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